Os alimentos e a mente.
Maria de Fatima Abreu
A qualidade do que comemos influencia diretamente a memória, a atenção, o humor e a capacidade de aprendizagem.
O cérebro é altamente dependente de energia e nutrientes específicos, precisa de combustível constante, matérias-primas para os neurotransmissores e proteção contra danos celulares.
A estabilidade energética é decisiva: carboidratos complexos presentes em grãos integrais, legumes e frutas, liberam glicose gradualmente, evitando picos e quedas que comprometem a concentração.
A construção e o reparo das vias neurais dependem de proteínas, cujos aminoácidos originam serotonina, dopamina e noradrenalina — pilares do foco, da motivação e do equilíbrio emocional.
Além disso, gorduras de boa qualidade, especialmente o ômega-3 de peixes, chia, linhaça e nozes, integram as membranas dos neurônios, aprimoram a comunicação sináptica e se associam a menor risco de declínio cognitivo.
Somam-se a isso as vitaminas e os compostos bioativos de frutas e verduras, como vitaminas C e E e polifenóis, que reduzem estresse oxidativo e inflamação, condições ligadas a perdas de memória e menor clareza mental.
Outro eixo de sustentação cognitiva é a saúde intestinal. Fibras e alimentos fermentados — iogurte, kefir, chucrute — fortalecem a microbiota, que, por meio do eixo intestino-cérebro, modula a produção de neurotransmissores e influencia o estado de humor. Hidratação adequada e minerais como ferro, zinco, magnésio, iodo e vitaminas do complexo B completam o quadro, por sustentarem a produção de energia, o foco e a velocidade de processamento.
Cabe ainda ressaltar que a atividade física potencializa esses efeitos. Caminhadas regulares melhoram a circulação e o aporte de oxigênio e nutrientes ao cérebro, estimulam fatores de crescimento neuronal, como o BDNF, reduzem estresse e ansiedade e favorecem o sono — condições que ampliam os ganhos de uma dieta equilibrada.
Assim, dieta de qualidade e caminhadas frequentes instauram um ciclo virtuoso: mais energia, melhor humor, maior clareza mental e melhor capacidade de aprender e lembrar.
Portanto, se queremos um cérebro mais eficiente hoje e protegido no longo prazo, é racional adotar escolhas cotidianas concretas: priorizar alimentos in natura e minimamente processados; montar pratos coloridos com verduras, legumes, proteínas magras, grãos integrais e fontes de ômega-3; hidratar-se ao longo do dia e limitar açúcares e ultraprocessados; incorporar caminhadas de 30 a 45 minutos, quatro a cinco vezes por semana, em ritmo confortável.
Logo, cuidar do prato e mover o corpo não é apenas um hábito saudável: é uma estratégia efetiva de potencialização cognitiva.


